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1997-2005

Atirem contras as travestis…, Rio de Janeiro, 2003

Uma outra vez, as hostes da moralidade apontam contra as travestis. O prefeito César Maia, baixo o eufemismo de “atrapalhar o transito na Avenida Atlântica, ordeno não só multar os “clientes” mais também anotar as placas para ser publicitadas no Boletim Oficial. Trata-se não só de punir, mais também de visibilizar os consumidores do prazer, com a finalidade de amedrentar-los.
Triste panôptico da moralidade que mais preocupado por espiar nossas camas teria que se ocupar dos problemas mais urgentes que aquejam a cidade. Ou o estado de caos do Rio intenta se disfarçar com mirinhaques de outros séculos e ditaduras?
Já em outras épocas se intentou sem êxito, terminar com a prostituição (o para disser-lo com mais propriedade com as travestis mesmas): multas, holofotes para iluminar as ruas, câmaras e filmadoras registrando a vida intima dos cidadãos… Sempre sem êxito.
Estranha sociedade a nossa. Em tanto os delinqüentes de gola dura agem amparados pela legalidade dos eufemismos, a eficácia do governo se mede nos ataques aos setores mais golpeados pela exclusão e ã injustiça.
Pergunto ao governo da cidade então, sem trabalhar na prostituição, as travestis vão a viver do que? O ele pensou em brindar-lhes alguma alternativa laboral?
Sem a possibilidade de trabalhar e de sustentar-se, ainda com seus corpos, pois na verdade a sociedade não abre muitas portas para as travestis, como vão a subsistir?
Ou o subtexto destas medidas na realidade ocultam um segredo desejo de acabar com as travestis como pessoas?
E interessante refletir como o texto publicado no Diário Oficial, se refere a elas como as “pessoas na margem da avenida”. Na realidade à margem de tudo e especialmente da existência como o direito mais básico e primitivo da cidadania.
É significativo como uma cidade que se preza de ter ordenanças municipais que protegem da discriminação pela cor ou pela orientação se permita estas contradições.
Resulta necessário mobilizar as forças comprometidas com a democracia e a inclusão para protestar vivamente contra estas novas práticas, pois as diferenças que separam a estas filosofias com as de os skinheads são solo de forma…
Como costuma dizer uma amiga e militante travesti: “o mesmo homem que nos idolatra é o mesmo que nos crucifica…” He aqui o dilema…
 Carlos Eduardo Figari
Núcleo de Estudos Queer Brasil

About carlosfigari

PhD in Sociology (IUPERJ/Rio de Janeiro) University of Buenos Aires, Faculty of Social Sciences, Study Group on Sexualities, Gino Germani Research Institute National Scientific and Technical Research Council (CONICET)

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