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1997-2005

Dungeons & Bears, Rio de Janeiro, novembro de 2003

Oi galera “ursa-ursa” (a metáfora do urso “dominante” -alguém por aqui chegou incluso a falar de “elite ursa”-…), “barbies-ursas” (porque não? na final os muscle bears não são metade ursos metade barbies), “bichas-ursas” (conheço varias sim !!) “travestis-ursas” (eu também já vi!!)… e ate -que me desculpem os que pregam a masculinidade-: mulheres ursas (ahhh!! que sacrilégio !!)

Aproveito a interessante discussão que vem acontecendo para refletir com vocês sobre três questões:

 

 

* A insuportável leveza do ser:

 Bom, descobrir “o que somos” (como grupo, comunidade, identidade ou experiência coletiva) acho que é uma discussão sim fim, mas também necessária… quase uma questão dialética, sem saída.. Mas o só fato de acontecer já nos constitui como algo diferente (o que pelo menos procura ser-lo). Como inteligentemente expressou o Wadd “se alguém está aqui nessa comunidade é porque tem algum motivo”. Continuemos a debater então que é bom…

Na verdade, eu me estou lixando para a masculinidade. Não me identifico (nem me defino) como “homem” por uma posição política, pois não quero formar parte da porção da humanidade que impus historicamente o sexismo (a subordinação do feminino) e também a heterossexualidade (a negação de qualquer “outro” diferente que escape do heterosexismo). Como me identificar com o meu opressor ?? . Sou radical ao afirmar que ainda por ter pene não pertenço nem a condição biológica “macho” (que por certo também é ideológica) e por tampouco me identificar com a masculinidade em tanto distinção genérica, mas insisto é uma questão ideológica e pessoal.

Eu não quero ser urso disciplinariamente másculo, nem também me impor trejeitos femininos para diferenciar-me. Eu quero, não definir-me essencialmente, senão travestirme de masculinidade, feminilidade, urso ou barbie, quando bem entender e quiser…

 

* Paulista lotada, coió no Ibirapuera.

Respeito às políticas afirmativas, leis, paradas, etc…concordo plenamente com Superchaser. A parada é verdade que da uma grão força para a visibilidade (simbólica eu diria)… Más, não seria muito mais coerente dar pintas o resto do ano, em qualquer lugar e frente a qualquer um, que dar pintas uma tarde, numa avenida ?… Não quero ser “eu” no gueto, quero seu “eu” no meu trabalho, no ônibus e no boteco da esquina… Não quero ser “eu” na praia frente ao Copacabana Palace o na Farme, quero ser eu em qualquer parte da areia…

Não quero me beijar descaradamente na Avenida para ficar guardando a compostura o resto do ano…

 

* Dormindo com o inimigo.

 Ha uns poucos dias, o Duda, (um chaser carioca) foi discriminado em um restaurante freqüentado por gays, incluso o dono disse para ele que aceitavam cães mas não gays lá (pelo menos que não o manifestassem que é o mesmo que dizer que não sejam…)

É um fato notório que os estabelecimentos GLS – e os que não o são, mas quase o 100% de sua concorrência são gays e lésbicas – no Rio de Janeiro, se destacam por sua manifesta discriminação, absurda e irritante. A “Le Boy”, por exemplo, uma das mais badaladas boites gays da cidade cobra o dobro de ingresso às mulheres, já o legendário “Cabaré Casanova” ate no faz muito tempo exibia um cartaz em sua porta de entrada que rezava: “proibido entrar com saia” (que terão que fazer as travestis ali então? vestir calças?).
Alguns lugares freqüentados por uma maioria de publico gay, jogam fora sem compaixão a qualquer pessoa do mesmo sexo que ouse manifestar carinho, como o caso que denuncio abaixo, do restaurante Natural na Ipanema, outro point gay carioca, onde o gerente declara que no lugar aceitam animais mas não homossexuais.
Noite após noite, os gays tupiquinís seguem lotando esses lugares, e somos os mesmos que depois reclamamos políticas afirmativas de não discriminação. Pergunto-me, para que queremos uma lei de união civil se depois não poderemos nem nos dar a mão em um bar (inclusive freqüentado por gays). Que tipo de “matrimônio” será esse que existirá para a lei, mas que de fato não poderá exercer-se / visibilizar-se?
Além de leis é imperioso produzir políticas também em dois sentidos. Aos que se interessam pela questão do gay consumidor e cidadão exerçam sua pressão sobre o aberrante mercado GLS, tal como hoje está exposto, e não continuem a ir nesses estabelecimentos.

E aos que nos interessam as políticas culturais por sobre as institucionais, por favor, protestemos, difundamos os estabelecimentos que discriminam, vamos a mais lugares e manifestemos mais carinho, enfrentemo-nos em forma permanente, façamos escândalos! Pela força, até que se acostumem.
Não que nos aceitem, porque a aceitação, como diz minha amiga travesti Luana Muniz (que não é ursa), é um ato que implica afeto, só que não nos incomodem, que não nos perturbem. Não é o direito a ser aceito nem a ser reconhecido, simplesmente é o direito a SER. E como tal, nem se mendiga nem se discute, se impõe.

KarlBear

About carlosfigari

PhD in Sociology (IUPERJ/Rio de Janeiro) University of Buenos Aires, Faculty of Social Sciences, Study Group on Sexualities, Gino Germani Research Institute National Scientific and Technical Research Council (CONICET)

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